quarta-feira, 13 de abril de 2011

Matemática da Felicidade.

Uma turminha de psicólogos e cientistas da área de econômia resolveram colocar a mão na massa (ao contrário dos filósofos dos últimos vinte e cinco séculos) e calcular qual seria o valor, o melhor, o custo da felicidade.

Pasmem, pois 75000 dólares anuais é o valor.



Entrevistando milhares de pessoas USA afora eles perceberam que, mesmo não havendo um certo limite até o qual a sua qualidade de vida pare de melhorar, o nível de satisfação dos entrevistados não cresce de forma relevante a acima desse valor.



E é fácil de perceber o motivo, quanto maior a renda, maior a responsabilidade e nível de ocupação (entenda por stress). Restando assim menos tempo para lazer com família e amigos.



Fazendo umas continhas simples eu vejo a parada da seguinte forma: essa grana equivaleria a uns 135000,00 R$, assumindo que o dólar vale 1,80 R$. Isso daria, em termos de valores líquidos (livres de impostos), cerca de 10125,00 R$ ao mês.

Ou seja, ninguém precisa me explicar que poucas pessoas no mundo são "felizes".

Obs: Este comentário foi editado a partir da reportagem "Qual o valor de uma vida feliz?", da edição 2182 da revista Veja, de 15 de setembro de 2010.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nostalgia...

É com um título que também é título de música de Raul Seixas e com os dizeres a seguir abaixo que eu coloco essa imagem que esclareceu muito o que eu nunca me interessei em saber durante minha infância.

"Hoje é feriado, é o dia da saudade..."

Imortais!

Tá certo que o apelido é do Grêmio de Footbball Porto Alegrense.
Mas arrisco a dizer que o Clube de Regatas do Flamengo não é imortal... é para sempre... hauhauhauha.
Homenagem ao que seria o centésimo décimo aniversário de José Lins do Rego.


Um é imortal, o outro para sempre.

domingo, 3 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

Pensamento de hoje.

Assistindo hoje um documentário eu percebi pela enésima vez o quanto a ciência (ferramenta criada pelo ser humano) nos permite entender a cerca do nosso passado e, mais ainda, do passado quando nossa espécie nem existia. Podemos, enquanto cientistas, não ter todas as respostas, mas certamente, temos a melhores respostas para entender o mundo à nossa volta.
Muito provavelmente seja por isso que os religiosos/leigos/viajados interpretam que seja arrogância quando alguém acostumado a aplicar o método científico descarta tão rapidamente ideias estaparfúdias criadas e dissemindas sem comprovação alguma.
Mas a questão que eu não deixo de martelar é: uma mentira contada inúmeras vezes não se transforma em verdade; e um bilhão ou mais de pessoas acreditando na mesma mentira também não a torna verdade.

Bom final de semana.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Futebol de Areia

Hoje deu Mengão e estamos nas semi-finais.
André, o artilheiro, passou em branco no 2 a 2 com bola rolando e 5 a 4 nas penalidades.
Foi chato, que venha Curíntia ou Vasquinho.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os três últimos minutos...

Qualquer discussão a respeito do fim do universo nos põe face a face com questões relativas ao propósito. Já observei a perspectiva de um universo moribundo ter convencido Bertrand Russel da inutilidade da existência, sentimento que encontra eco mais tarde em Steven Weinberg, cujo livro Os três primeiros minutos culmina com a dura conclusão de que “quanto mais compreensível parece ser o universo, mais desprovido de sentido também parece ser”. Argumentei que o medo original de uma lenta morte térmica fosse talvez exagerado, e talvez até mesmo equivocado, embora a morte súbita por uma grande implosão continue sendo passível de ocorrer. Especulei a respeito da atividade de superseres que houvessem conquistado objetivos miraculosos, físicos e intelectuais, vencendo a adversidades, e também fiz um breve exame da possibilidade de os pensamentos não conhecerem fronteiras, ainda que essas existam para o universo.

Mas podem esses cenários alternativos aliviar nossa sensação de incômodo? Um amigo meu declarou certa vez que, de tudo que ouvira a respeito do paraíso, nada lhe pareceu interessante. A perspectiva de viver para sempre num estado de sublime equilíbrio não exercia sobre ele atração alguma; melhor morrer de maneira rápida, ter um fim, do que enfrentar o tédio da vida eterna. Se a imortalidade limita-se a ter os mesmos pensamentos e experiências repetidas vezes para sempre, ela realmente parece não ter sentido. Contudo, se a imortalidade pode ser combinada com o progresso, podemos então imaginar uma vida num estado de inovações perpétuas, sempre se aprendendo ou fazendo algo novo e excitante. A questão é: para quê? Quando seres humanos embarcam em uma projeto com um propósito, eles têm em mente um objetivo específico. Se esse objetivo não é atingido, o projeto terá fracassado (ainda que a experiência possa ter sido válida). Por outro lado, se o objetivo é alcançado, o projeto terá sido concluído, e a atividade cessará. Pode haver um propósito verdadeiro para um projeto que nunca é concluído? Pode a existência ter sentido se ela consiste numa jornada sem fim rumo a um destino que nunca é alcançado?

Se existir um propósito para o universo, e se ele atingir esse propósito, esse universo deverá então ter um fim, pois sua continuidade seria gratuita e desprovida de sentido. Ou, visto de outra forma, se o universo perdurar por toda a eternidade, fica difícil conceber a existência de qualquer propósito final que seja para o universo. Assim, a morte do cosmos pode ser o preço a ser pago pelo seu sucesso. Talvez, o máximo que possamos esperar a propósito do universo torne-se conhecido por nossos descendentes antes do término dos três últimos minutos.

Últimos parágrafos do livro "Os Três Últimos Minutos: Conjeturas sobre o destino final do universo". Cujo autor é Paul Davies (professor de Filosofia Natural da Universidade de Adelaide, Austrália)



terça-feira, 22 de março de 2011

Douglas Noel Adams (DNA)



Embora declarasse ser "um ateu radical", seus livros demonstram um sentido claro e nítido de justiça e compaixão universais. No início achei isso um pouco estranho e pensei que talvez ele estivesse apenas demonstrando sua enorme inteligência enquanto debochava da crendice pia dos fanáticos religiosos, mas em algum momento compreendi o que ele realmente queria dizer. Uma posição radicalmente ateísta pode até significar que sua vida é uma corrida rumo ao esquecimento, mas ao menos você pode fazer isso com estilo. Como você se comporta hoje, o que você faz com cada momento, como você explora os talentos e as oportunidades à sua disposição são coisas muito mais importantes para um ateu genuíno do que para os devotos mais religiosos. Longe de perder o sentido, o que você faz nesta vida subitamente torna-se incrivelmente importante, já que você só tem essa única possibilidade de fazer a coisa certa, de mudar alguma coisa, de contribuir de alguma forma para aqueles que você ama ou que seguirão seus passos.

Parte do prefácio (escrito por Gradley Trevor Greive) de "O Guia do Mochileiro das Galáxias", cujo autor aparece na imagem acima. Tradução de Carlos Irineu da Costa.


“Foi como se um dia de sol, de repente, virasse noite”


O Flamengo ainda sangrava a perda de Zico para a Udinese, e fez as malas para ir à Itália. Era o dia 20 de junho de 1983 e, na véspera, o time havia realizado sua primeira partida desde a venda de seu maior ídolo. Sem alma, o Flamengo perdeu um amistoso para o Uberlândia. Mas não havia tempo para lamentos e um dia após a derrota a delegação já estava no Galeão, para seguir rumo ao Mundialito de Milão. Antes, no entanto, uma amarga pausa em Udine. Zico estrearia pela Udinese justamente contra o Flamengo. Na fila do embarque, perguntado se estava pronto para enfrentar Zico, Mozer nem levantou a cabeça para responder: “Nunca vou estar pronto para isso.”

Zico também não estava pronto para enfrentar o Flamengo. Era para ele a festa no estádio de Friuli no dia 22 de junho, mas Zico não estava para festas. O jogo marcava também a despedida de Surjak do time italiano, e Zico entraria em seu lugar aos 40 minutos do primeiro tempo para jogar somente até o final daquela etapa. Cinco minutos que pareceriam séculos.

Do banco, com a camisa do adversário do Flamengo, Zico viu o time que defendeu desde a adolescência desnorteado. Dificilmente escaparia de uma goleada e ele não só não poderia ajudar, como estava do outro lado. A Udinese vencia por 2×1 quando Zico foi chamado para o aquecimento, sob aplausos. Aos 40 minutos, entrou no lugar de Surjak. Zico estava contra o Flamengo.

Estava? O primeiro lance de Zico com a camisa da Udinese foi um lançamento logo, de trinta metros. A bola parou no peito de Júnior. Nada poderia ser mais emblemático. Pouco depois, Zico tentou e errou uma tabela. Seu corpo estava na noite do Friuli, sua alma estava no Maracanã. E acabou o primeiro tempo.

Disse Zico: “O pior foi a espera pelos cinco minutos, sentado no banco de reservas do meu novo clube, aguardando a hora de fazer uma coisa que jamais imaginei: jogar contra a camisa que foi minha metade da vida. Uma sensação muito desagradável, porque eu via que o Flamengo não estava bem.” O jogo seguiu sem Zico e a Udinese, perdendo muitos gols, venceu por 4×2. Mais tarde, todos os rubro-negros puderam ouvir, pela Rádio Tupi, o relato de Mozer sobre o que sentiu quando Zico entrou em campo: “Foi como se um dia de sol, de repente, virasse noite”.

Pelo menos para um rubro-negro, a estranha sensação de ver Zico contra o Flamengo havia acontecido dois anos antes. Zé Carlos era o goleiro dos juniores do Flamengo em 1981, e o time de garotos foi chamado para enfrentar a seleção brasileira principal, no dia 5 de maio. Era apenas um coletivo no Maracanã, parte da preparação do Brasil de Telê Santana visando a excursão européia. Nada disso importava a Zé Carlos, que só tinha um pensamento: “Zico vai jogar contra o Flamengo e eu sou o goleiro”.

O Maracanã estava fechado para o público, mas Zé Carlos sentia aquelas arquibancadas lotadas. A seleção, de camisas de treino, cercava os juniores do Flamengo, com suas camisas de jogo. “Eu não posso deixar Zico fazer um gol contra o Flamengo”, repetia mentalmente o jovem goleiro. César marcou 1×0 para a seleção e o treino se aproximava do final, com Zico jogando longe da área.

Então aconteceu um pênalti. Para todos, só mais um lance do coletivo, que seria esquecido na história. Para Zé Carlos era um pênalti que Zico cobraria contra o Flamengo, com ele no gol. Zico contra o Flamengo era a inversão da ordem natural das coisas, mas lá estava ele ajeitando a bola na marca fatal.

Zé Carlos via quase todos os dias Zico cobrando pênaltis na Gávea. Canto direito, canto esquerdo, não havia como prever. O único padrão era a bola entrando rente ao poste. Não bastava acertar o lado, era preciso saltar como nunca.

Com o sol na cara, Zé viu seu ídolo correr para a bola e pensou “vou para o canto esquerdo”. Quando Zico firmou o pé de apoio, Zé Carlos voou com as mãos espalmadas. Em câmera lenta, viu a bola crescer em sua direção, mas não parecia possível alcançá-la. Esticou os braços até o limite da musculatura e, de olhos fechados, sentiu que algo havia tocado a ponta de seus dedos. Quando caiu no chão, abriu os olhos. A rede não estava balançando e a bola quicava além da linha de fundo.

Zico se aproximou do jovem Zé Carlos, passou a mão em sua cabeça e disse: “Boa, garoto”. Mais tarde, no ônibus a caminho de casa, o goleiro não parava de pensar que havia evitado o incestuoso gol de Zico contra o Flamengo, e chorava um choro tão silencioso quanto o Maracanã vazio naquela tarde de terça-feira. Quando fechava os olhos, ainda podia ouvir a voz de Zico: “Boa, garoto”.

Há uma terceira história de Zico contra o Flamengo. Ela aconteceu no dia 21 de junho de 1994 e o Flamengo venceu o Kashima Antlers por 2×1. Mas essa é uma história que não vai ser contada, porque o dia em que Zico abandonou os gramados não deveria jamais ter existido.