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quarta-feira, 12 de abril de 2023

O que é Ciência?

Quando comecei (link) a explicar o que é química, iniciei dizendo que ela é uma ciência. Como não podemos deixar palavras diferentes passarem direto, temos de nos perguntar: o que é ciência?


É comum associar a imagem de um laboratório e uma pessoa manuseando utensílios como béqueres (líquido amarelo), erlenmeyers (líquido azul) e balões de destilação (líquido verde). Este último aquecido por uma chama fornecida pelo bico de Bunsen. Ciência também é feita dessa forma.

Antes de responder imediatamente o que é ciência, quero falar de conhecimento. Tudo aquilo que você aprende durante a vida forma o seu conjunto de conhecimentos. Alguns úteis, outros não. Alguns pessoais, outros você deseja compartilhar. Alguns verdadeiros, outros não. Alguns você acha que fazem sentido, outros acha que não fazem. Toda informação que armazenamos na memória chega até nós de alguma maneira, não importa como, o que importa é como distinguir o verdadeiro do não verdadeiro, que muitos confundem com falso, mas deixarei isto para outra oportunidade.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Introdução à Química e conceitos iniciais.


Em minha experiência de vida como professor de química, é comum, ao citar a minha área de atuação, ouvir as situações apresentadas acima. Após me perguntarem a profissão, algumas pessoas tentam disfarçar a surpresa, como se fosse algo de outro mundo. São as expressões mais comuns entre as que ouço. A química é capaz de causar esta impressão nas pessoas, não pela sua complexidade, ou ausência dela, em minha opinião, mas pelo uso equivocado da palavra “química” em diversas situações. A palavra “química”, por diversas vezes, é vista como significado de algo ruim.

 

Não é bem assim na realidade, mas as pessoas acham que a química se encontra presente apenas em produtos perigosos, tóxicos ou venenosos. É óbvio que está presente em artigos desses gêneros, mas não apenas neles. É comum, quando se compra algum produto de origem agrícola, como verduras ou frutas, atentar-se à beleza delas e associá-la ao uso de agrotóxicos, defensivos agrícolas e fertilizantes artificiais. E o fazem dizendo algo como:

 

“Nossa, como essas frutas estão bonitas, principalmente estes morangos, mas é uma pena que estão cheios de ‘química’, a ‘química’ dessas frutas pode até matar uma pessoa.

 


Isto é real, muitas frutas, com exceção dos produtos orgânicos, entram em contato com grandes quantidades de agrotóxicos e outros produtos químicos impróprios para o consumo humano. Fazendo com que sejam lavadas à exaustão antes de consumidas. Por outro lado, a alface cultivada na horta de uma casa e tratada com adubo natural também precisa ser lavada e permanecer de molho em um litro de água para cada uma colher de sopa de água sanitária. Deixando as folhas de molho por cerca de dez minutos. Este procedimento nos poupa de ingerir alguns micro-organismos não recomendados para consumo.

 

 

Diante disto, farei algumas perguntas ou observações relacionadas à química. Muito provavelmente você as conhece de seu cotidiano.

 

Consegue imaginar um xampu que seja completamente natural? E, mesmo que exista um, este xampu natural causará algum mal à sua saúde se ingerido?

 



Já se imaginou bebendo ou comendo tinta?

 

 

As tintas presentes nas tatuagens são constituídas de substâncias chamadas de corantes. Como você pode imaginar, o corante dá cor aos mais diversos tipos de produtos. Comidas e líquidos que ingerimos diariamente. Metais, plásticos e madeiras que manuseamos, estocamos ou jogamos fora quando não nos são mais úteis.

 

Água potável é aquela que passou por tratamento químico?

 

 

Em grandes centros urbanos se faz necessário o tratamento da água. Tamanha a chance de que ela esteve em contato com algo que a contaminou e a deixou, portanto, imprópria para consumo. Na natureza, em nascentes de florestas, ou nas regiões onde se encontra o gelo naturalmente, podemos consumir a água sem tratamento prévio. Mas observe, uma pequena massa de água em contato com animais em decomposição pode nos fazer muito mal. Note que não são necessários “produtos químicos” produzidos pela humanidade para contaminar a água e nem o contrário, que substâncias vindas da natureza não nos façam mal algum.

 

A mesma água que parece limpa e transparente aos nossos olhos e que corre a parir de uma nascente pode estar contaminada por algo nocivo à nossa saúde. Seja este algo artificial ou natural, produto químico ou micro-organismo.

 

 

Conservantes usados em comida enlatada são substâncias químicas?

 


 

Os mesmos produtos que podem nos fazer algum mal, se consumidos em quantidades exageradas, são aqueles que conservam alimentos por meses ou anos até. A diferença está na quantidade que usamos.

 

Percebemos com certa facilidade que são muitas perguntas envolvendo a palavra "química". Muitas, se não a totalidade delas, importantes demais para se responder sem saber o significado desta palavrinha. Concorda comigo?




Então eu lhe pergunto:

 

 

Se você considera seu conhecimento desta área quase zero, talvez este seja o lugar mais indicado para começares a entender como funciona a tal da química. Para os iniciantes, os autores de livros dizem: "a química é uma área da ciência na qual se estuda a matéria, sua composição (da matéria), sua estrutura (da matéria), suas propriedades (da matéria), seu comportamento (da matéria) ao sofrer transformações e as respectivas energias envolvidas em tais transformações". Agora eu te pergunto: isto faz sentido para você? Se não faz, não se sinta mal, pois para a maioria não faz. Se você se encontra dentro desta turma e quer (ou precisa) aprender, vem comigo.

 

Notou a quantidade de vezes repetindo a palavra "matéria" no parágrafo acima? Não é assim no livro, mas assim fiz para deixar isto bem mais claro que o normal. E então, sabe o significado de "matéria"? Se não souber, não vai saber o que é química.

 

 

O ato de definir química abre um leque de palavras novas, mas as chamarei de conceitos. E devemos explicar em detalhes cada uma dessas palavras novas, mas no devido momento. Do contrário vai parecer muito confuso.

 

Entre muitas outras, algumas como as seguintes perguntas podem vir à sua mente.

 

Qual a origem e o significado da palavra química?

 

O que é ciência?

 

O que é matéria? (De novo ela por aqui, deve ser importante).

 

O que é uma propriedade da matéria?

 

Quais são as propriedades da matéria?

 

Quantas são as propriedades da matéria?

 

O que é uma transformação da matéria?

 

O que é energia?

 

Existe mais de um tipo de energia?

 

Como se mede a energia?

 

É pergunta até dizer chega. E elas estão longe de acabar. Basicamente, a cada pergunta respondida de forma satisfatória, algumas outras surgem em seguida. Tentarei alinhar as respostas de maneira que façam algum sentido para você.

 

Existe alguma pergunta que passou pela sua cabeça e eu não citei? Deixe-a nos comentários.

 

Antes de seguir para a próxima postagem, sugiro se perguntar pela primeira palavra estranha ao seu vocabulário que encontraste por aqui. Procure o significado dela, leia em voz alta e veja se faz sentido para ti. Se quiser compartilhar comigo, deixe ela nos comentários (de forma anônima ou não).

 

Tente agora fazer isto com a palavra "matéria".


domingo, 29 de janeiro de 2012

Diagrama de Hoje...

Para toda pessoa que saiba ler na língua portuguesa...




Sem ele não teríamos a atual expectativa de vida, todos os equipamentos nos permitindo lazer, conforto e bem estar. Sem ele morreríamos aos milhares antes do primeiro ano de vida em qualquer, eu disse qualquer, lugar do mundo. Sem ele nos deslocaríamos a cavalo ainda e não vislumbraríamos algo melhor que um esboço de Da Vinci.




Entre outras, é a ele que todos deviam agradecer quando uma pessoa à beira da morte é salva por um médico em uma mesa de cirurgia. O mesmo vale quando você bate o carro e o cinto de segurança te impede de voar pelo para-brisa. E muitos outros.

Método científico, muito prazer.





Abraço.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sobre o tempo...

Ouço e leio com frequência frases com os seguintes dizeres:

"Só o tempo para nos trazer sabedoria..." "O tempo traz saudades, mas não nos deixa esquecer..."


Sinceramente, eu acho isso uma puta falta de sacanagem publicar este tipo de afirmação. Pois estas frases na forma que aparecem são desprovidas de qualquer sentido, vagas e destinam-se a um público alvo: pessoas passando por problemas emocionais de qualquer natureza. Para esse segmento da população frases assim são um prato cheio.

O tempo é apenas uma grandeza fluindo inexoravelmente em um único sentido, e com velocidades diferentes de acordo com o referencial adotado. Para os leigos, ele não para e não volta, e como 99,9999% da humanidade passa sua vida inteira presa ao planeta terra e não experimenta viagens a velocidades absurdas, ele (o tempo) passa para todos nós com a mesma velocidade.

Se é assim pq discutir então? Simples. Por pessoas acharem que o tempo muda algo na vida delas, por imaginarem que as "coisas acontecerão" com o tempo. Experimente passar dois meses de braços cruzados enquanto o tempo passa e veja o que ele te trará. Nada! Pois é, nada.

Frases bonitas ao primeiro olhar, mas vazias. Parecem ricas em sabedoria, mas as pessoas se enganam de uma forma tão tola achando que viajar em tais palavras significa enxergar além do óbvio. Bom, então eu pergunto: se é óbvio, pq não enxergou ele?

Abraço e aí segue a letra e a música de mesmo nome que o post da banda Nenhum de Nós.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Matemática da Felicidade.

Uma turminha de psicólogos e cientistas da área de econômia resolveram colocar a mão na massa (ao contrário dos filósofos dos últimos vinte e cinco séculos) e calcular qual seria o valor, o melhor, o custo da felicidade.

Pasmem, pois 75000 dólares anuais é o valor.



Entrevistando milhares de pessoas USA afora eles perceberam que, mesmo não havendo um certo limite até o qual a sua qualidade de vida pare de melhorar, o nível de satisfação dos entrevistados não cresce de forma relevante a acima desse valor.



E é fácil de perceber o motivo, quanto maior a renda, maior a responsabilidade e nível de ocupação (entenda por stress). Restando assim menos tempo para lazer com família e amigos.



Fazendo umas continhas simples eu vejo a parada da seguinte forma: essa grana equivaleria a uns 135000,00 R$, assumindo que o dólar vale 1,80 R$. Isso daria, em termos de valores líquidos (livres de impostos), cerca de 10125,00 R$ ao mês.

Ou seja, ninguém precisa me explicar que poucas pessoas no mundo são "felizes".

Obs: Este comentário foi editado a partir da reportagem "Qual o valor de uma vida feliz?", da edição 2182 da revista Veja, de 15 de setembro de 2010.

sábado, 2 de abril de 2011

Pensamento de hoje.

Assistindo hoje um documentário eu percebi pela enésima vez o quanto a ciência (ferramenta criada pelo ser humano) nos permite entender a cerca do nosso passado e, mais ainda, do passado quando nossa espécie nem existia. Podemos, enquanto cientistas, não ter todas as respostas, mas certamente, temos a melhores respostas para entender o mundo à nossa volta.
Muito provavelmente seja por isso que os religiosos/leigos/viajados interpretam que seja arrogância quando alguém acostumado a aplicar o método científico descarta tão rapidamente ideias estaparfúdias criadas e dissemindas sem comprovação alguma.
Mas a questão que eu não deixo de martelar é: uma mentira contada inúmeras vezes não se transforma em verdade; e um bilhão ou mais de pessoas acreditando na mesma mentira também não a torna verdade.

Bom final de semana.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Os três últimos minutos...

Qualquer discussão a respeito do fim do universo nos põe face a face com questões relativas ao propósito. Já observei a perspectiva de um universo moribundo ter convencido Bertrand Russel da inutilidade da existência, sentimento que encontra eco mais tarde em Steven Weinberg, cujo livro Os três primeiros minutos culmina com a dura conclusão de que “quanto mais compreensível parece ser o universo, mais desprovido de sentido também parece ser”. Argumentei que o medo original de uma lenta morte térmica fosse talvez exagerado, e talvez até mesmo equivocado, embora a morte súbita por uma grande implosão continue sendo passível de ocorrer. Especulei a respeito da atividade de superseres que houvessem conquistado objetivos miraculosos, físicos e intelectuais, vencendo a adversidades, e também fiz um breve exame da possibilidade de os pensamentos não conhecerem fronteiras, ainda que essas existam para o universo.

Mas podem esses cenários alternativos aliviar nossa sensação de incômodo? Um amigo meu declarou certa vez que, de tudo que ouvira a respeito do paraíso, nada lhe pareceu interessante. A perspectiva de viver para sempre num estado de sublime equilíbrio não exercia sobre ele atração alguma; melhor morrer de maneira rápida, ter um fim, do que enfrentar o tédio da vida eterna. Se a imortalidade limita-se a ter os mesmos pensamentos e experiências repetidas vezes para sempre, ela realmente parece não ter sentido. Contudo, se a imortalidade pode ser combinada com o progresso, podemos então imaginar uma vida num estado de inovações perpétuas, sempre se aprendendo ou fazendo algo novo e excitante. A questão é: para quê? Quando seres humanos embarcam em uma projeto com um propósito, eles têm em mente um objetivo específico. Se esse objetivo não é atingido, o projeto terá fracassado (ainda que a experiência possa ter sido válida). Por outro lado, se o objetivo é alcançado, o projeto terá sido concluído, e a atividade cessará. Pode haver um propósito verdadeiro para um projeto que nunca é concluído? Pode a existência ter sentido se ela consiste numa jornada sem fim rumo a um destino que nunca é alcançado?

Se existir um propósito para o universo, e se ele atingir esse propósito, esse universo deverá então ter um fim, pois sua continuidade seria gratuita e desprovida de sentido. Ou, visto de outra forma, se o universo perdurar por toda a eternidade, fica difícil conceber a existência de qualquer propósito final que seja para o universo. Assim, a morte do cosmos pode ser o preço a ser pago pelo seu sucesso. Talvez, o máximo que possamos esperar a propósito do universo torne-se conhecido por nossos descendentes antes do término dos três últimos minutos.

Últimos parágrafos do livro "Os Três Últimos Minutos: Conjeturas sobre o destino final do universo". Cujo autor é Paul Davies (professor de Filosofia Natural da Universidade de Adelaide, Austrália)



segunda-feira, 21 de março de 2011

Ciência!

Toda nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil; e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos.


Albert Einstein (1879-1955)

domingo, 4 de julho de 2010

Dúvida.

Qual dos ovos da figura ao lado comer?

Caramba.


Passei o dia montando uma apostila e assando carne na churrasqueira... não necessariamente nesta ordem. segue ao lado algo que montei para quem quiser completar.