domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa, Pais e Filhos...

Lembro de conversar com um amigo numa noite de quinta-feira perdida no segundo semestre de 2007, molhando a palavra após um longo dia de aula. O assunto era música. Ele citou Renato Russo e a forma como ele (o vocalista da Legião Urbana) reagia ao fato de seus seguidores tratarem Pais e Filhos como balada romântica: "a música fala de uma menina que suicidou!".

Hoje, primeiro domingo após a primeira lua cheia deste outono, "comemora-se" a páscoa. Apesar das tretas envolvendo as diversas correntes cristãs, existem aqueles que aproveitam para celebrar a ressurreição do messias. O mesmo cara que, segundo eles, veio para salvá-los. Isso após nascer de uma concepção imaculada a partir dele mesmo (a santíssima trindade é tensa) e performar alguns milagres antes de ser crucificado.

Pois é impressionante a capacidade que os cristãos têm de esquecer os feitos atribuídos (no antigo testamento) sem vergonha alguma à divindade que eles cultuam. Genocídio (dilúvio) e apoio à escravidão estão entre tais feitos.

Vez ou outra, nas redes sociais, recebo uma mensagem de amor de deus enviada por um de seus seguidores, já que ele mesmo não pode enviá-la diretamente. Quando pergunto ao seguidor pelo dilúvio, se as pessoas que morreram afogadas naquele evento eram amadas pela divindade, recebo como resposta que "elas mereciam morrer".

Engraçado, os nazistas (Hitler em especial) também achavam que os judeus mereciam morrer. Parte da nossa sociedade, inclusive contatos meus de redes sociais, primos e tios meus acham que bandido ou vagabundo bons são bandido ou vagabundo mortos.

E a desculpa para os afogados no dilúvio merecerem a morte é taxativa: "viviam em pecado". Nem vou me dar ao trabalho de explicar como isso é absurdo. Vou direto ao que interessa.

Se, em uma música, as pessoas são capazes de esquecer um verso como "ela se atirou da janela do quinto andar" e focar no refrão com a maior alegria. Imagine em um livro como a bíblia, escolhe-se o que interessa e o que não convém é esquecido. É como esquecer todos os feitos de Hitler e Stalin e passar a louvá-los a partir de um mensagem de amor que a eles foi atribuída. Mas um pouco de milagre ajuda a reforçar a mensagem.

Quando falamos de holocausto, poucos idiotas têm a coragem de negá-lo ou dizer que os judeus mereciam aquilo. Então porque o dilúvio tem de ser diferente? Matar é errado e a divindade judaico-cristã (mais do que todos) deveria saber disso. Não importa se ela (supostamente) nos deu a vida, é muita preguiça mental pensar que um criador tem plenos poderes sobre a vida de sua criatura. É estupidez pensar que ela tem todo o direito de se comportar como um déspota.

"Criarei cães e gatos e, no caso de eles não me obedecerem, os matarei afogados". Estas últimas palavras soam absurdas e são de fato. Mas quando se trata da bíblia, muitos se esforçam para separar as palavras dilúvio e genocídio. 

Para os muitos que não raciocinam a respeito, o importante é "amar as pessoas como se não houvesse amanhã", mesmo que seja só da boca para fora ou até a música acabar. Pois coerência não faz rima com verdade.

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