quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amônia.



Quando se fala de século XX e fatos ou pessoas marcantes a ele associados, Hitler ganha disparado. Principalmente quando se trata de um grupo de origem judaica esforçando-se por manter ainda viva na memória da população o holocausto ocorrido durante a segunda grande guerra. Mas algo que passa batido por muitos é a importância de algumas descobertas e como elas, mais até que as decisões de estadistas, são capazes de mudar os rumos da história, bastando para tal o simples fato de existir.

Eis que vos apresento a amônia, de fórmula NH3 e precursora de uma série de substâncias amplamente utilizadas desde o final do século XIX. Ela não foi descoberta no século passado, muito pelo contrário, já é antiga conhecida dos químicos de profissão ou de diversão. Mas a sua relevância se fez presente quando perceberam a possibilidade de usá-la como matéria prima na síntese de nitratos e nitritos, ou seja, de pólvora e fertilizante.

Imagine só como deve ser difícil planejar a guerra e todas as suas respectivas batalhas tendo de administrar uma escassez de pólvora e comida para os soldados. Até a síntese da amônia, toda produção mundial de artefatos explosivos dependia da produção de fezes por parte das aves espalhadas pelo globo. Algo assim não ajuda de forma alguma o processo industrial e muito menos permite uma guerra duradoura e ininterrupta. A guerra dos cem anos é um belo exemplo: correria de um lado para o outro durante curto intervalo de tempo e longos períodos de “descanso”.

A Alemanha do Kaiser Guilherme II resolveu esse problema. Com a síntese da amônia a partir dos gases nitrogênio e hidrogênio, tornou-se autossuficiente na produção de pólvora e fertilizantes. Produzindo-os em escala industrial, adquiriu um poderio militar e uma vantagem estratégica até então não vistos na Europa contemporânea.

Junte isso a problemas familiares espalhados entre a maioria das monarquias europeias, uma vez que boa parte deles era descendente da rainha Vitória. Pronto, o estopim se criou, faltando apenas acendê-lo. Para tal, qualquer atitude estabanada serviria de desculpa, a primeira a aparecer foi o assassinato do arquiduque fulano de tal.

E tem gente jurando de pé junto que apenas o assassinato foi o suficiente para a Alemanha cometer a doideira de abrir duas frentes de batalha em uma guerra de ininterruptos quatro anos. Mais que isso, manter tal guerra contra a maioria das demais potências europeias.

Como é possível uma insanidade dessas? Simples, apenas micro-organismos são capazes de fixar o nitrogênio do ar para formar a amônia. Uma vez que dois alemães de nomes Fritz Haber e Carl Bosh tiveram a sacada de usar uma superfície metálica para acelerar o processo. Além, é claro, de elevadas pressão e temperatura. Pronto, produz-se amônia em condições de laboratório.

Outra sacada desses dois é a maneira de separar o produto de seus dois reagentes. Sabendo que a amônia é uma substância polar (nitrogênio combinado com hidrogênio), ao contrário dos outros dois, bastou borbulhar a mistura gasosa em água e pronto, apolares passam direto e polar se solubiliza na água. Pode parecer besta e infantil, mas trata-se de algo com poucos equivalentes dentro da história humana. E mais ainda, fruto do intelecto de dois gênios que enxergaram algo onde ninguém mais viu.



Outro detalhe a respeito desta síntese é que se trata de um ótimo exemplo quando o assunto é equilíbrio químico e seus respectivos pormenores. Principalmente deslocamento de equilíbrio causado por alteração na pressão, temperatura e concentração. “Maldito” seja Le Chatelier e seu princípio.










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